Sedentarismo, Epigenética e o Poder do Hábito: a Falta de Vontade como Crime de Lesa-Pátria

sedentário adj.s.m. (1661) 1 que ou aquele que está quase sempre sentado fis. 2 que ou aquele que não se movimenta muito, que anda ou se exercita pouco zoo. 3 subclasse dos anelídeos poliquetas 4 verme

crime s.m. (sXIII) jur. 1 transgressão imputável da lei penal por dolo ou culpa, ação ou omissão 2 delito 3 ato que ofende um bem jurídico tutelado fig. 4 qualquer ação ética e socialmente condenável dir. 5 c. de lesa-pátria o que fere a soberania e a segurança de um país


Sedentarismo é crime.

Pelo menos deveria ser: a ciência já relaciona algumas doenças genéticas ao estilo de vida de pais e avós, como a Síndrome de Prader-Willi, distúrbio hormonal cuja principal manifestação é a fome insaciável.

Consciente ou não, o sedentarismo é um problema que afeta quase metade dos brasileiros. Suas origens e consequências podem ser mais profundas do que o senso comum imagina – e as maneiras de combatê-lo, também.

Neste artigo apresentaremos algumas relações óbvias – porém pouco exploradas – entre a epigenética e o sedentarismo, sob plano de fundo da Sociedade Espartana e a ótica indireta da Segurança Nacional.

Assim sendo, nos próximos parágrafos, você vai ler sobre:

  • A Moral como Fator de Combate
  • Saúde Pública e Segurança Nacional
  • A Vontade como Hábito
  • Epigenética e o Crime de Lesa-Pátria
  • O Brasil ante os Portões de Fogo

Pronto? Nos alvos em frente, fogo a vontade!

A MORAL COMO FATOR DE COMBATE

A Batalha das Termópilas eternizou Esparta na história do Ocidente.

O número de guerreiros liderados por Leônidas nos Portões de Fogo era aproximadamente de 300 combatentes, contra um inimigo que girava em torno de 300 mil.

O comportamento espartano naquela batalha ainda é usado como exemplo do poder que um Exército pode exercer, usando um pequeno grupo de guerreiros moralmente inabaláveis.

É certo que as vantagens do treinamento, do equipamento e o bom uso do terreno como multiplicadores do fator de combate fizeram a diferença, mas foi a postura ética individual que, frente a óbvia derrota, eternizou os “300 de Esparta” como um símbolo de coragem em momentos de crise.

ethos guerreiro de Esparta, do qual deriva seu caráter, gerou uma concepção política de saúde e condicionamento físico, onde o sedentarismo não existia como uma opção moral possível: era praticamente ilegal ser sedentário em Esparta.

Porém, isso não é mais uma verdade: a coragem moral decaiu junto com a coragem física e ambas padeceram sob um inimigo comum, o sedentarismo.

SAÚDE PÚBLICA E SEGURANÇA NACIONAL

O sedentarismo já se tornou um estilo de vida, principalmente com o mau uso da tecnologia, que facilita a inação do sedentário e afaga sua preguiça.

É sabido que as consequências da “prática regular do sedentarismo” variam entre impotência sexual, endividamento crônico, alguns tipos de câncer e até distúrbios psicológicos, para não citar as consequências mais comuns como obesidade, alto índice de colesterol, diabetes, hipertensão arterial, infartos fulminantes e insuficiências respiratórias, além das óbvias procrastinação, sensação de impotência e até depressão.

No Brasil, onde 46% da população é sedentária, o quadro fica ainda pior se associarmos outro fator endêmico: o uso recreativo de drogas.

Esse quadro piora se recordarmos que o desenvolvimento do crime organizado está diretamente ligado ao aumento do consumo recreativo de drogas, que substitui a endorfina da atividade física por cocaína, por exemplo.

Assim, a ligação entre sedentarismo e o crime organizado fica explícita, pois a verdade é que quem pratica atividade física dificilmente fará uso de drogas.

Essa relação, agora óbvia, deixa claro que o sedentarismo, além de um assunto de Saúde Pública, é uma questão de Segurança Nacional!

A VONTADE COMO HÁBITO

A qualidade física do† biotipo brasileiro médio é de interesse da Defesa, pois afeta diretamente a qualidade dos soldados alistados e do Sistema de Mobilização.

É duvidoso, porém, que se possa reverter o quadro de sedentarismo generalizado no Brasil através de alguma ação governamental.

De qualquer maneira, o início do processo estaria no entendimento da dinâmica escondida por trás dos hábitos mais sutis de cada pessoa.

Segundo Duhigg (2012), nossos hábitos são atalhos neurológicos de execução de tarefas, que surgem da necessidade que o cérebro tem de poupar energia mantendo eficiência.

Assim, qualquer rotina pode ser transformada em hábito: desde uma corrida diária seguida de musculação, lutas ou natação até para prática niilista de ficar sentado no sofá assistindo televisão.

Se você enxergar um hábito como uma ferramenta interna, vai perceber que a repetição de hábitos negativos pode lhe desconstruir, consumindo sua vontade, bem como a repetição de hábitos positivos vai edificar você!

Afinal, como dizia Aristóteles: “Nós somos o que fazemos repetidamente. A excelência, portanto, não é um ato, é um hábito.”

EPIGENÉTICA E O CRIME DE LESA-PÁTRIA

Entendido então que um hábito é a base do comportamento humano, vamos dar um passo a frente: um hábito seu pode afetar sua descendência.

De acordo com Francis (2015), a epigenética – nova disciplina da genética – está comprovando que nossas ações afetam sim nossos genes, modulando sua atividade – e mais: afirma que as características adquiridas em vida são passadas para as gerações futuras!

Essas descobertas parecem reviver a teoria do biólogo Francês Jean-Baptiste Lamarck, com suas leis do “Uso e Desuso” e da “Transmissão dos Caracteres Adquiridos”, refutando em partes a Teoria da Evolução de Charles Darwin.

Assim, o sedentário, além de cometer suicídio gradual, pratica um ato de covardia contra as futuras gerações, negando à sua prole a qualidade de vida que despreza hoje.

Fica claro então porque o sedentarismo vai além da Saúde Pública e entra na Segurança Nacional, pois deteriora a qualidade física do biotipo médio, devendo ser enquadrado, alegoricamente, como um Crime de Lesa-Pátria!

O BRASIL ANTE OS PORTÕES DE FOGO

Cientificamente comprovado, já é certo que o comportamento de uma pessoa altera e modula os seus genes, influenciando os genes das gerações futuras, positivamente ou negativamente.

Moralmente falando, ao interiorizarmos os conceitos expostos pela epigenética, fica fácil entender que tudo o que fazemos se reveste, necessariamente, de um caráter ético, pois influencia nosso futuro individual próximo e o futuro distante de nossa prole.

Confrontando assim a construção de hábitos com a epigenética, começamos a entender o real poder que temos em gerenciar estrategicamente nosso destino.

Em tese, sua realização em vida não passaria de uma questão de organização, conhecimento e ação, cujo resultado viria em médio prazo a longo prazo, se o esforço despendido para construção de um Modo de Vida Estratégico for constante.

Por fim, a situação do Brasil assemelha-se àquela dos espartanos nos Portões de Fogo: quem resistir à desconstrução do Ocidente, cujos sintomas giram em torno do sedentarismo, provavelmente se eternizará no Olimpo, tal qual Leônidas e os 300 de Esparta.

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REFERÊNCIAS CLICÁVEIS

DUHIGG, Charles. O Poder do Hábito – Porque Fazemos o que Fazemos na Vida e nos Negócios. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

FRANCIS, Richard C. Epigenética – Como a Ciência está Revolucionando o que Sabemos sobre Hereditariedade. Rio de Janeiro: Zahar: 2015.

MINISTÉRIO DO ESPORTE. Cerca de 46% da População Brasileira é Sedentária, diz Pesquisa. Brasília: Portal Brasil, 2016.

O’LEARY, Denise. Epigenetic Chance: Lamarck, Wake Up, You’re Wanted in the Conference Room! Seattle: Evolution News, 2015.

VARELLA, Maria Helena. Síndrome de Prader-Willi. São Paulo: Portal Drauzio Varella, 2017.